Semelhanças entre Avatar e O Nascimento de uma Nação

Estou lendo talvez o melhor livro sobre “O Nascimento de Uma Nação”, filme do D.W. Grifith que, além de racista, condensou uma série de técnicas apresentadas em outros filmes e revolucionou o cinema do ponto de vista comercial.

Deixo para falar do primeiro em uma outra hora. Há um trecho do livro que o autor, Melvyn Stokes, fala apenas sobre o inovador esquema de distribuição do filme que, grosso modo, foi o primeiro a organizar exibições em uma escala nacional e a munir a imprensa (resumida a revistas semanais nacionais e jornais diários locais) de “informações”.

Stokes diz assim: “Quase tudo relacionado a ‘O Nascimento de Uma Nação’ era notícia: o custo para os exibidores manterem a cópia segura, as paradas que aconteceram antes da primeira exibição no local (muitas delas organizadas pela Ku Klux Kan), a presença de personalidades locais na première”, entre outras.

Esse trecho me fez pensar como a trajetória comercial de “O Nascimento de Uma Nação” e “Avatar” se parecem, mesmo com os 94 anos que separam os filmes. Na produção de James Cameron, também praticamente tudo vira notícia:

Como os Na’vi foram idealizados, os featurettes do tipo “conheça Pandora”, a corrida para derrubar “Titanic” do posto de maior arrecadação da história, se os atores vão voltar para a sequência, se esta será um prelúdio, se Cameron vai dirigir “Homem Aranha 4″…

Com isso, a curiosidade do público continua atiçada.

Ambas as produções também ocupam o assento de “ponto de virada da história do cinema”. O filme de Grifith não inventou a roda, mas reuniu diversas inovações estéticas que já tinha frequentado filmes do George Meliès e uma série de curtas-metragens produzidos para os Nickelodeons (entre os quais os próprios filmes de Grifith).

Cameron também não inventou a roda, já que “Avatar” senta sua estrutura no ser humano descobrindo e desbravando/destruindo o desconhecido (conquista do Oeste?). Por outro lado, proporciona uma nova experiência visual e ilusória.

É exatamente nessa curva que ambos os filmes se encontram: são revolucionários do ponto de vista do espetáculo e como produto de entretenimento. Produções que tentam neutralizar a crítica e usar a imprensa como reprodutora de elogios.

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