Ditadura: cinema e literatura

A primeira página do caderno de cultura do diário campineiro Correio Popular desta segunda-feira (31/1) estampa uma matéria sobre o lançamento do livro Pedro e Os Lobos, biografia do ex-guerrilheiro Pedro Lobo, um dos fundadores da VPR.

A história de Lobo seguiu o roteiro tradicional dos que escolheram a luta armada como forma de oposição à ditadura no Brasil (1964-85): teve formação política e de guerrilha, resistiu, foi capturado, torturado e fugiu para o exílio. Voltou com a abertura.

O biógrafo João Roberto Laque conta ao repórter Bruno Ribeiro que decidiu escrever o livro pelo desconhecimento dos jovens sobre o que é a História recente do Brasil e pela ausência de obras pouco herméticas sobre o período. “Através da trajetória de vida do Pedro, procurei traçar, numa linguagem acessível aos jovens, o painel do período político entre a posse de Jânio Quadros e o fim do governo militar”.

Sem tirar o mérito de Pedro e Os Lobos, é equivocada a análise de que não existem obras “numa linguagem acessível aos jovens”. Sobre a ditadura e focando num personagem para contar um momento histórico temos Cale-se, de Caio Túlio Costa. O livro é de 2003 e toma a vida de Alexandre Vanucchi Leme como ponto de partida para uma narrativa eletrizante, regada de suspense e com informações jornalisticas e históricas diluídas.

Ou seja, prato cheio para os jovens. Se não me engano, li Cale-se com 19 anos, no meio do cursinho.

Cinema

Existem dezenas de filmes com olhares diversos da ditadura militar brasileira: a aventura (O Que é Isso, Companheiro?), a tortura e seus traumas (Batismo de Sangue), o guerrilheiro (Cabra Cega), o infantil (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias), o futebolístico (Pra Frente Brasil), o musical (Uma Noite em 67, Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei), drama histórico (Zuzu Angel), o racial (Quase Dois Irmãos), a memória afetiva (Eu Me Lembro).

Mas ainda faltam filmes a serem feitos, especialmente a confrontar onde estão os torturadores, quem financiou a ditadura dentro da elite e o que aconteceu com a estrutura repressora após o fim da ditadura. O único longa-metragem a chegar perto da espinha dorsal é Cidadão Boilesen, ótimo documentário sobre Henning Albert Boilesen, ex-presidente do Grupo Ultra, um dos maiores financiadores do regime no Brasil.

Outro projeto que pretende chegar no ponto mais complicado do assunto é o novo documentário de Rodrigo Siqueira (diretor de Terra Deu, Terra Come). Rodrigo ainda não quer falar muito do futuro filme, mas me disse que vai colocar em xeque a anistia “geral e irrestrita”. A ver.

Em tempo: Chaim Litewski meu deu uma elucidadora entrevista à época do lançamento de Cidadão Boilesen [clique aqui].

Em tempo 2: Noutra matéria, Helvécio Ratton e Toni Venturi, dois diretores que trataram da ditadura em ficções, analisam como o cinema brasileiro encara seu passado [clique aqui].

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