Brasil (provavelmente) fora do Oscar. De novo

O Ministério da Cultura divulgou ontem, terça-feira (13/9), os pré-selecionados que postulam à indicação do MinC para ser o representante brasileiro por uma vaga de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar. Apenas 15 longas-metragens se inscreveram, diz o site do Ministério.

Acho improvável que queime a língua: mais um ano sem representante tupiniquim na cerimônia da Academia. A não ser que o escolhido seja Tropa de Elite 2 que, para mim, não é o melhor da lista, mas pode ter lá suas chances por ser minimamente conhecido lá fora e por conta do diretor, José Padilha, premiado em Berlim em 2008 com o primeiro filme e que foi para Hollywood dirigir uma nova versão de Robocop.

Mas não vou investir em futurologia de Oscar, pois não tenho talento para Mãe Diná, e nem buscar tendências, já que meu know how da rotina da Academia não chega nem perto do faro de Ana Maria Bahiana, hoje blogueira do UOL. Vou me concentrar no nível da lista, independente de ser para Oscar ou para um troféu de esquina.

O nível está muito baixo. Muito. Risível. Uma pena, já que sou um crítico comprometido a refletir especialmente com o passado, presente e futuro com o cinema daqui. Dos 15 pré-selecionados, sete não se sustentam após o primeiro argumento. Vou nominá-los, em ordem alfabética: A Antropóloga, As Mães de Chico Xavier, Assalto ao Banco Central, Família Vende Tudo, Federal, Mulatas! Um Tufão nos Quadris e Quebrando o Tabu. Estes são os medonhos.

Dos restantes, cinco são medianos: em alguns momentos interessantes, mas não têm fôlego para competir com o que há (supostamente) de melhor nas cinematografias mundiais. São eles: Bruna Surfistinha, Estamos Juntos, Vips, Histórias Reais de um Mentiroso – Vips e Lope.

Sobram três. Malu de Bicicleta é bom, mas carece de grandes aspirações como cinema. É modesto, mas honesto. Digno.

Sobram Tropa de Elite 2 e Trabalhar Cansa, os quais só assisti uma vez e achei grandes filmes. Dois longas de verve diferente, mas porretas – a diferença é que o longa de Juliana Rojas e Marco Dutra não sofre do maniqueísmo do filme de Padilha.

Até semana passada, comecinho de setembro, estrearam 55 longas brasileiros que poderiam ter se inscrito no MinC. Entre setembro e dezembro de 2010, período que também tornariam elegíveis outras onze ficções, destaco apenas Meu Mundo em Perigo e O Sol do Meio Dia.

Desse bolo de 66 ficções, apenas quinze se inscreveram. Por quê? Por que os produtores de Transeunte, Natimorto, Não se Pode Viver Sem Amor, Riscado, interessantes e com algo a dizer, não entraram? Para evitar a fadiga? Qual é o resultado dessa equação que não percebo?

A coisa não está boa

No começo da redação deste artigo, pensei que a tal lista dos 15 não refletisse os filmes lançados neste ano. O problema seria dos produtores de boas ficções (fazendo esse corte já que raramente a Academia escolhe um documentário na categoria de Filme Estrangeiro) que não inscreveram seus longas.

O triste fato é que a lista dos 15 reflete, sim, o que foi feito até o momento entre as ficções. À exceção das quatro ficções já citadas que mereciam estar na lista, e de Estrada Para Ythaca, lançado pela Sessão Vitrine, não existem filmes que me provoquem alguma paixão, gana por discuti-las e ouvir opiniões contrárias.

Não existem ficções para se colocar na mesa, esta é a verdade. Com documentários, o papo é outro.

Quando olho para o escolhido da Hungria, O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (não sou louco pelo filme, mas não dá para negar sua força como cinema e a maravilhosa encenação), fico com muita vergonha da lista. Suponho uma embaraçosa situação: para começar o dia, um membro da Academia assiste ao filme de Tarr. Em seguida, a Assalto ao Banco Central.

É ou não de doer?!

Entre esse suposto cinema de qualidade e do bom gosto como Lope e as limitações técnicas e orçamentais de Os Monstros, fico com este: não tem dinheiro, mas esbanja verdade cinematográfica.

É esta segunda linhagem de cinema brasileiro que precisa tomar dimensões maiores, contaminar o espectador, não a outra.

Por isso discordo do senso comum: o cinema brasileiro não vai de vento em popa.

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