Cinema brasileiro 2: os curtas é que salvam

No texto abaixo sobre os postulantes a uma indicação brasileira ao Oscar, argumentei o baixo nível criativo dos longas-metragens de ficção lançados neste ano. Assim como o documentário tem proporcionado ótimas surpresas (Pacific e Diário de Uma Busca), existe um outro formato cuja média da produção é muito boa: os curtas-metragens.

Na terça-feira, o Canal Brasil anunciou o grande vencedor do prêmio de R$ 50 mil, escolhido pelos apresentadores. Deu uma obra-prima chamada Recife Frio, premiação merecida pelo diretor Kleber Mendonça Filho. O que encanta, porém, não é só o escolhido, mas os outros postulantes.

Cada um dos nove candidatos venceu, em um festival diferente, o Prêmio Aquisição do canal, cujo júri é sempre formado por jornalistas e críticos. Da lista, pelo menos quatro são grandes filmes: A Amiga Americana, de Ivo Lopes Araújo e Ricardo Pretti; Bailão, de Marcelo Caetano; Faço de Mim o que Quero, de Petrônio Lorena e Sergio Oliveira; Haruo Ohara, de Rodrigo Grota; além do próprio Recife Frio.

Outro curta-metragem é bom e tem charme, O Filme Mais Violento do Mundo, de Gilberto Scarpa. Infelizmente, não vi os outros três candidatos: Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil…, de Alexandre Bersot; Magnífica Desolação, de Fernando Coimbra; e Mãos de Outubro, de Vitor Souza Lima.

De uma lista de nove filmes, cinco integram o time dos grandes, aquele que permite criar uma série de leituras, discussões. São aqueles que nos despertam paixões – já declarei meu amor aos cinco curtas em momentos diferentes. Mais da metade.

Acompanhando a produção brasileira deste ano, solidifica-se uma sensação de que existem muito mais curtas que permanecem após a sessão do que longas. Pretendo desenvolver essa comparação no fim do ano em textos de balanço, mas, por ora, compartilho essa sensação.

Com um porém: existe, sim, uma produção viva em longa-metragem, só que ela ainda passa à margem. São os filmes feitos por coletivos regionais, geralmente com poucos recursos etc. Muitos deles estrearam por meio da Sessão Vitrine. É esse escopo da produção brasileira que mais me interessa e, acredito, deveria ser mais observada não só pelo público, mas também pela crítica.

Se esse cinema florescer ainda mais e ampliar suas janelas de diálogo, aí sim a média da qualidade da produção em longa brasileiros vai dar orgulho.

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s