Rapidinhas do Festival do Rio 1

Caçula das Irmãs Olsen – Um filme muito interessante está passando silenciosamente pelo Festival do Rio. Trata-se do americano Martha Marcy May Marlene, Melhor Direção em Sundance e uma das atrações de Cannes na mostra paralela Um Certo Olhar.

Não sei se terei tempo para escrever apropriadamente sobre ele no Cineclick, mas ao menos deixo um breve comentário. Uma menina (Elizabeth Olsen, “de beleza irritante”, como diz uma das personagens) vive em duas situações diferentes: na primeira, num modo coletivo com alguns valores familiares e morais mais que dúbios. No outro, quando reencontra sua irmã mais velha, típica pequena burguesa.

Dois momentos dos quais não sabemos muito e aprendemos aos poucos. Montagem e direção espetacular: assim como a cabeça da protagonista está confusa com esses dois tempos distintos que a deixam à deriva, também ficamos perdidos. Filme de sensações, de experiência dentro e após a sala de cinema.

Fora de sintonia – A Première Brasil, grande janela para filmes brasileiros aqui no Festival do Rio, vive um contrassenso. De um lado, aposta em longas ousados como os dos três primeiros dias de competição – Histórias que Só Existem Quando Lembradas, Girimunho e Mãe e Filha)

Os curta-metragens, porém, tocam em outra nota. Além de fracos, os curtas Cavalo, Gisela e Assim como Ela não estabelecem diálogo formal algum com o longa que introduzem nas sessões noturnas no Cine Odeon. Na sessão de domingo (9/10), um curta de fotografia acética e sem nuances (Assim como ela) veio antes de um longa de fotografia vigorosa e narrativa rigorosa (Mãe e Filha).

Por conta da seleção, nem sempre é possível estabelecer uma conversa entre longa e curta, mas seria de ótimo proveito fomentá-la sempre que factível. Ajuda na potencialização e permite uma compreensão mais ampla de ambos os formatos.

Béla Tarr?! – Após a bela sessão aqui no Festival, Mãe e Filha, que teve uma recepção morna, o que é uma injustiça com o tamanho do filme, as reações foram divididas (assim como o filme de Cronenberg, Um Método Perigoso).

Em brevíssimas conversas após o filme, surgiu uma comparação com o cinema de planos longos do húngaro Béla Tarr, do qual o Indie exibiu a obra-prima Satantango em mais de sete horas no CineSesc. Apesar de a composição dos planos ter obviamente bebido nele, não vejo intenção alguma do filme ou de seu realizador, Petrus Cariry, em fazer citações.

Trata-se de uma influência no inconsciente. Assim como Tarkovski, Pedro Costa, Velázquez… imagens que nos deixamos contaminar enquanto estamos vivos, procedimento comum a qualquer cinéfilo. Apesar de ambos mostrarem rigor com a câmera, a encenação em Cariry me parece mais solta do que em Tarr. Tenho a impressão também de que os filmes do húngaro (como O Cavalo de Turim tem pretensões filosóficas bem maiores.

Mãe e Filha mostra méritos suficientes para escapar de comparações que se detém na superfície.

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