Triângulo Amoroso – Crítica

Finalmente Tom Tykwer, o realizador alemão que se mostrou para o mundo em 1998 com Corra, Lola, Corra, volta a fazer um filme interessante. Antes de comentar o que é bom ou ruim no filme, Triângulo Amoroso (3/Drei), lançado nesta sexta-feira (30/12) em São Paulo exclusivamente no CineSesc, pede que tenha sua atenção chamada por ser instigante.

Não há muito o que esconder do enredo já que o próprio título não faz questão de ser discreto quanto à trama. Um típico exemplo da quadrilha drummoniana ou da versão de Chico Buarque em Flor da Idade. Porém, em vez de Carlos, temos Simon; Dora é Hanna; Paulo é Adam.

No mínimo corajoso, num cenário careta do cinema, inverter o mito de Tristão e Isolda para um triângulo amoroso fechado nele mesmo. O elemento externo que entra na vida do casal torna-se corpo orgânico deles, tão orgânico que dá um nó nos próprios personagens. Não são mais os dois homens divididos pelo amor de uma mulher como em Cidade Baixa, mas três pessoas que amam umas às outras.

Corajoso, sim, mas também conciliador. Para justificar o mergulho amoral de seus personagens num amor inédito para eles, Tykwer cria uma trama de aprendizado. Aos 40 e tantos anos, Simon, Hanna e Adam aprendem algo a mais na vida. O primeiro descobre o desejo também por um homem; ela redescobre o prazer do sexo; o terceiro se lembra como é bom amar verdadeiramente.

Tykwer oferece explicações quase que didáticas para seus personagens. Desnecessárias por vezes, penso eu, mas quiçá foi o jeito encontrado para fazer o filme chegar ao seu público e sobreviver com a força do boca a boca.

Assim como busca a conciliação – prefiro a radicalização, mas entendo e respeito a opção de Tykwer –, Triângulo Amoroso também faz algumas escolhas certas. Em geral, perceptíveis no tom do filme e no destino do trio. Em vez de adotar a postura do julgamento e condenação moral, ele decide andar junto e pisar a mesma areia de seus personagens, respeitando suas motivações e verdades.

Há outro detalhe do filme que me sinto obrigado a ressaltar: o ritmo. Em Triângulo Amoroso, talvez nem fosse preciso ler os créditos para descobrir quem dirigiu o filme. Há nele uma composição de ritmo dinâmica, mas não frenética, de divisão múltipla da tela para dar conta de vários acontecimentos ao mesmo tempo. Tykwer voltou a trabalhar com Mathilde Bonnefoy, montadora de todos os seus filmes, exceto Perfume – A História de um Assassino. Que bom!

Fico feliz também que, às vésperas do ano novo, a sala de 300 lugares do CineSesc estivesse ocupada e com fila já para a próxima sessão. Triângulo Amoroso não é um exemplo de ruptura rumo a outra ordem comportamental, mas não deixa de fazer dois ou três bem-vindos questionamentos sobre o estado das coisas.

Ficha técnica

Triângulo Amoroso (3/Drei), 2010
Avaliação: 3,5 de 5
Direção: Tom Tykwer
Distribuição: Lume Filmes
Estúdio: X-Filme Creative Pool
Veja aqui os horários da exibição no cinema

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