Análise do Oscar: O Artista leva 5 estatuetas e reforça poder de Weinstein

As cinco estatuetas que O Artista ganhou no 84º Oscar em 2012, incluindo Melhor Filme e Direção [veja todos os vencedores], mostram que Harvey Weinstein, o cara que colocou Cidade de Deus sob os holofotes do Oscar, é de novo o rei do pedaço.

Afinal, em tempos de franquias, filmes de super-heróis genéricos e orçamentos astronômicos, não é fácil tornar um filme em preto-e-branco (e mudo) no filme-que-todo-mundo-está-comentando.

Num ano em que os longas favoritos – o de Hazanavicius e o de Scorsese – falaram sobre cinema, os membros preferiram o que ficou mais na superfície. Com isso, A Invenção de Hugo Cabret reinou nas categorias técnicas, mas passou ao largo das mais visadas.

Entre a comédia romântica muda francesa que imita e celebra a Hollywood dos anos 1920 e 30 e o filme para toda a família que fala de memória cinematográfica e preservação de arquivos, ganhou o primeiro. Em todo o caso, fosse a estatueta de Melhor Filme para O Artista ou para A Invenção de Hugo Cabret, este ano foi uma temporada de produções superestimadas.

Mas é melhor nem reclamar por um filme apenas satisfatório ter ganho o Oscar. Se dermos uma olhada quem saiu vencedor nos anos 2000, vamos encontrar Chicago, O Discurso do Rei ou até mesmo Quem Quer Ser Um Milionário?. Ao menos a existência de O Artista me parece mais interessante por dialogar com o cinema e quebrar o ciclo de lixo tecnológico que invadem as salas semanalmente.

A Invenção de Hugo Cabret, outra homenagem ao cinema, levou cinco estatuetas

No meio dos prêmios entregues nas quase três horas de cerimônia, alguns fatos que quebraram a monotonia. Meryl Streep ganhou sua terceira estatueta após 29 anos, desta vez pelo mediano A Dama de Ferro. Teve também um Oscar de Roteiro Original para Woody Allen que, como de praxe, nem apareceu no Kodak Theater. Woody não ganhava um Oscar de Roteiro desde Hanna e suas Irmãs (1987).

Outra estatueta marcante como fato histórico foi a de Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer, apenas a oitava ator/atriz negra a ganhar o prêmio da Academia. Mais um para a lista de fatos: Christopher Plummer, ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante por Toda Forma de Amor, é o mais velho a levar uma estatueta (82 anos).

A grande gafe da morna cerimônia foi sem dúvida o tradicional vídeo que a Academia faz para homenagear os profissionais que morreram no último ano. Assim como nos anos anteriores, muita gente ficou de fora. O pior em 2012 é que gênios foram esquecidos, especialmente Theo Angelopoulos (A Poeira do Tempo) e Raul Ruiz (Mistérios de Lisboa). Esqueceram-se até de Maria Schneider, a atriz da cena da manteiga em O Último Tango em Paris.

Não se esqueceram, porém, de Whitney Houston ou de Steve Jobs.

A cerimônia teve também um plano no avantajado bumbum de Jennifer Lopez e no não tão dotado de Cameron Diaz, além de as pernas de Angelina Jolie terem ficado de fora por conta de seu ousado vestido. O Oscar fez uma nova tentativa em se tornar mais descontraída – steadicam acompanhando Robert Downey Jr. no palco, o mestre de cerimônias Billy Cristal se misturando na plateia, apresentadores com mais espaço para brincar – e discursos muito, mas muito curtos, felizmente.

A sensação deste Oscar 2012 é que a Academia se parece cada vez mais com os produtores mais velhos dos anos 1960 que, face às mudanças do mundo e do próprio cinema, chutava para todo lado no afã de recuperar público e entender o que o jovem queria ver nas telonas.

A ver no que isso vai dar.

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