MostraSP: breves notas – I

Permanência

Cotação: 2 estrelas

Dentro da produção de cinema – em especial a de longa-metragem – vinda de Pernambuco, raro encontrarmos filmes não com bons atores, mas sim de atores. O longa de estreia de Leo Lacca é um filme de atores e isso me parece um mérito, algo positivo. Ainda mais porque ele tem dois bons atores em cena: Rita Carelli (o que dizer daquele rosto mergulhado em tristeza na foto ao lado do marido?) e Irandhir Santos.

O tom do filme também me agrada e até fico surpreso que ele tenha conseguido se sustentar com tão pouco em mãos (um enredo cuja principal característica é a falta, a ausência, o distanciamento de um casal que fora próximo no passado). Sinto, porém, que foi mais gostoso assistir a Permanência do que refletir sobre ele depois – apesar de, ironia, ter passado mais de meia hora debatendo o filme com os amigos num bar, o que significa que ele tem algo ali, ainda que uma parte grande da discussão foi para apontar problemas. Fico com uma sensação, ainda difícil de destrinchar em palavras (a sessão foi ontem à noite), de que o filme poderia ter decolado para um lugar mais sólido, realmente apaixonante e grande.

A moça e os médicos

Cotação: 2 estrelas

Como não conhecia o trabalho da Axelle Ropert, fui assistir por indicações de amigos. E não encontrei nada demais no filme. Fiz um breve texto lá na Interlúdio [clique aqui e leia].

Aventura

Cotação: 2 estrelas

Depois de assistir esse longa cazaque começo a pensar que aquele registro de interpretação no qual o ator parece um peso morto, passivo diante do que lhe passa à frente, com pitadas de humor aqui e ali já deu o que tinha de dar (especialmente nas mãos de um Aki Kaurismaki). E essa combinação “menino tímido passivo + menina espevitada e misteriosa = altas aventuras, sair do lugar de conforto” já se tornou um gigantesco lugar comum.

Força Maior

Cotação: 4 estrelas

Fui espiar o quadro de cotações da Interlúdio e, uau, só a minha nota para o filme foi alta. Estarei eu equivocado? Fiquei deveras seduzido por muitos aspectos do filme de Ostlund: como ele filma o desconforto de uma situação sem tentar negociá-lo, indo até o fim e assumindo as consequências; como elementos que estão fora da cena entram nela e acrescentam mais uma camada (o brinquedinho voador que, numa câmera subjetiva, atravessa violentamente a DR do casal); aquela imensidão de branco que chega a doer o olho; o sumiço da mãe (acidente? Planejado por ela? Planejado pelos dois?); os personagens coadjuvantes (a coroa que pega todos, o coroa que se acha machão).

À noite, encontrei Carol Almeida numa fila e falando sobre o filme ela mostrou reticências quanto ao tom de “filme de tese” que o acompanha. É, isso pode ser mesmo um problema e só será possível afirmar ou negar numa revisão. Registro, por ora, que ele me deixou uma impressão muito positiva, ainda que parte do final me desagrade.

Estrela Cadente

Cotação: 2 estrelas

Não tive uma comunicação muito efetiva com o filme de Luís Miñarro, produtor reconhecido de filmes de arte e que finalmente dirige um longa de ficção. Muito porque o que se passa nele parecer ser bem caro a quem é espanhol. Estrela Cadente localiza-se num período de ingovernabilidade da monarquia (1870-73), mas o tempo inteiro demonstra vontade de enunciar sobre o hoje, o agora.

Há algo de Bressane pós anos 80 no filme – um pouco de Tabu, outro de Cleópatra –, mas que parece nunca se realizar integralmente – talvez porque aquela força tão evidente de composição do quadro e de encenação que se desprende em Bressane não esteja tão presente assim em Miñarro. São interessantes, porém, os elementos de ruptura do realismo e também com a coerência temporal (os “números” de dança).

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