Nicho Novembro 2020 – Mostra de Filmes: Audiovisual como Direito ao Trabalho

Chegamos à segunda edição do Nicho Novembro, evento que combina mostra de filmes, atividades formativas e painéis de mercado. Realizado pelo Nicho 54, instituto fundado por Fernanda Lomba, Raul Perez e Heitor Augusto, o Nicho Novembro 2020 – Mostra de Filmes acontece entre 9 e 15 de novembro. Inteiramente online e gratuito, os filmes são exibidos na plataforma exclusiva www.nichonovembro.com.br.

Confira abaixo a programação diária de estreias:

9 de novembro

Filme de abertura
Por toda a noite (Through the Night, EUA, 2020), de Loira Limbal

Os estadunidenses e imigrantes residentes nos Estados Unidos têm acumulado extensas jornadas em diferentes trabalhos para conseguir se sustentar. Esse novo contexto de lavor ininterrupto resulta no inesperado fenômeno das creches que funcionam 24 horas por dia. Por toda a noite é um documentário de estilo verité que investiga os custos da nossa economia contemporânea através das experiências de duas mulheres – mães e trabalhadoras – e também da administradora da creche, cuja vida é indissociável da rotina do espaço que administra.

Assim, acompanhamos a história de uma mãe que trabalha em um hospital durante o período noturno; de outra mãe que acumula três trabalhos simultâneos para sustentar a família; e de Nunu, uma mulher que há duas décadas toma conta dos filhos e filhas das mães e pais que necessitam de creche. Filmado ao longo de dois anos – incluindo feriados, semanas cheias e períodos noturnos –, Por toda a noite revela o impacto do aumento da desigualdade de renda nos EUA, bem como registra os fortes laços estabelecidos entre mães e pais, crianças, cuidadoras e cuidadores.

10 de novembro

Programa de curtas: Nós e os nossos

Genius loci (França, 2019), de Adrien Mérigeau

O caos da cidade a todos devora e transforma com sua agitação e movimento vibrante. Certa noite, Reine, uma pessoa solitária, é atraída por algo mágico, uma espécie de guia, um suposto encontro do eu.

De repente, a escuridão (In Sudden Darkness, EUA, 2020), de Tayler Montague

Um recorte da vida dos Moore, uma família trabalhadora negra do Bronx que tenta se manter de pé em meio ao blecaute que tomou a cidade de Nova York. Em busca de formas para lidar com os eventos internos e externos, a família mergulha na escuridão e no caos. À medida que a temperatura esquenta e a frustração aumenta, como os Moore e sua comunidade irão se unir para encarar o desconhecido?

Receita de caranguejo (Brasil, 2020), de Issis Valenzuela

Após a morte do pai, Lari e sua mãe vão passar alguns dias na praia. Elas resolvem cozinhar caranguejos. E os bichos, aos poucos, transformam-se em seres luminosos.

Aquário (Fish Bowl, Ruanda, 2020), de Ngabo wa Ganza

Confrontado pelo tio na noite que antecede o funeral de sua mãe, um jovem e introvertido artista depara-se com sentimentos inesperados que desenvolve por uma amiga íntima.

Colunas (Pillars, EUA, 2020), de Haley Elizabeth Anderson

Na missa de domingo, Amber, uma menina de 12 anos, dá seu primeiro beijo, um momento inocente que impacta profundamente em seu desenvolvimento sexual, emocional e religioso.

11 de novembro

Cavalo (Brasil, 2020), de Rafhael Barbosa, Werner Salles Bagetti

Envolvidos num processo artístico, sete jovens dançarinos são provocados a um mergulho em suas ancestralidades.

12 de novembro

Programa de curtas: A cor do trabalho

Num país chamado Hollywood (In Hollywoodland, EUA, 2020), de Jessica Sherif

Zodwa, uma jovem atriz com dificuldades para se estabelecer na carreira, participa de um teste de elenco animador. O que parece uma oportunidade única se transforma no mergulho numa estranha paisagem com referência que traz à mente Alice no país das maravilhas, o trabalho mais conhecido de Lewis Carrol.

A última gota de óleo (Midnight Oil, EUA, 2020), de Bilal Motley

A última gota de óleo (Midnight Oil) narra os últimos dias da mais controversa refinaria na Filadélfia, Estados Unidos. Após 150 anos em funcionamento, a PES Rephinery atravessou uma explosão de proporções catastróficas em junho de 2019. Construído em primeira pessoa e filmado com um celular, o documentário é um relato do diretor estreante e trabalhador da refinaria Bilal Motley. Motley tenta reconciliar sentimentos como amor e vínculos afetivos pelos seus irmãos e irmãs que trabalham na PES com o seu despertar acerca das comunidades não-brancas que vivem ao redor da refinaria e que lutam por seus direitos.

Dízimos e oferendas (Tithes and Offerings, Quênia, 2018), de Tony Koros

Um pastor queniano fajuto acidentalmente faz um milagre real.

Ruim é ter que trabalhar (Brasil, 2015), de Lincoln Péricles

Alguns dias antes da copa do mundo no Brasil, um operário reflete sobre seu trabalho.

Tudo que é apertado, rasga (Brasil, 2019), de Fabio Rodrigues Filho

Na tentativa de forjar uma ferramenta capaz de operar o corte por justiça, Tudo que é apertado rasga retoma e intervém em imagens de arquivo, reestudando parte da cinematografia nacional à luz da presença e agência do ator e da atriz negra.

13 de novembro

Sessão Geração 80

Lúcia no céu com semáforos (Angola, 2018), de Ery Claver e Gretel Marín

Um ser que só tem existência corporal, um objeto usado para satisfazer necessidades e desejos. Na tela, Lúcia preserva apenas um olhar distante que esconde gritos, medos e explosões. É sempre ostracizada e silenciada pela sociedade sexista que em nenhum momento considera sua opinião e desejos. Lúcia é o relato silencioso da mulher associado a um papel ou função sem o direito de ser, de pensar ou de expressar opiniões.

Ar condicionado (Angola, 2020), de Fradique

Quando aparelhos de ar condicionado começam a cair misteriosamente dos apartamentos na cidade de Luanda, capital da Angola, Matacedo e Zezinha, um vigia e uma empregada doméstica, têm a missão de recuperar o aparelho do chefe. Essa missão os leva à loja de materiais eléctricos do Kota Mino, que está a montar em segredo uma complexa máquina de recuperar memórias.

Ar Condicionado é uma jornada de mistério e realidade, uma crítica sobre classes sociais e como vivemos em conjunto nas esperanças verticais, no coração de uma cidade que é passado-presente-futuro.

14 de novembro

Dorivando saravá, o preto que virou mar (Brasil, 2019), de Henrique Dantas

Preto – Obá – Homem que virou mar. Ele foi o primeiro a cantar os Orixás e a introduzir o Tempo do Candomblé na música popular brasileira. Desafiou a própria morte ao se entregar nos braços de Iemanjá. Obá de Xangô consagrado que era, Dorival Caymmi não morreu: virou mar.

Priorizando uma abordagem poética, o documentário apresenta Caymmi como uma maneira de ser, de existir, de pensar. Como se “dorivar” fosse um verbo que hoje o povo brasileiro precisasse urgentemente aprender a conjugar. Além disso, Dorivando saravá, o preto que virou mar re-centraliza a racialidade do compositor e analisa sua obra a partir de perspectivas negras.

15 de novembro

Filme de encerramento
Deusa toda poderosa (Black Lady Goddess, EUA, 2020), de Chelsea Odufu

Estamos no ano de 2040. O mundo acaba de descobrir que Deus é, na verdade, uma mulher negra. Os boletos da reparação histórica acabam de ser emitidos e devem ser pagos por todos os “ab-originadores”. Neste contexto afro-futurista conhecemos a história e os dilemas da jovem ativista Ifeoma Washington.

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