O vilão em 007 – Operação Skyfall

Esse 007 – Operação Skyfall coloca outros filmes de ação com supostas pretensões no chinelo – refiro-me a Missão Impossível – Protocolo Fantasma e seus subprodutos.

Na minha preferência, disputa o posto de melhor filme de ação do ano com Os Mercenários 2 – é preciso revê-los para investigar o que sobrevive após o primeiro impacto.

O que me chama mais a atenção é a disposição da vilania. Tal como o Coringa de Batman – O Cavaleiro das Trevas, o personagem de Javier Bardem em 007 – Operação Skyfall é incontrolável. Não é vilão para alcançar o poder ou dinheiro. Nem o capital nem o status o seduzem.

Silva, o vilão, só existe por duas razões: 1) mostrar como a falha não é característica ocasional, mas ontológica ao sistema; 2) servir de espelho para M (Judi Dench) e James Bond (Daniel Craig). Quando os que estão do lado supostamente heroico olham para Bardem não miram algo distante, inalcançável, mas entram em contato consigo, com o que lhe é próximo e interior. Pois do ato heroico ao gesto condenável é um passo. O cabelo loiro de Bardem é, além de componente cômico, uma reafirmação da proximidade dessa linha, de aproximação a Bond.

James Bond, um personagem de incrível vitalidade histórica, não está distante do tempo presente. O tom de 007 – Operação Skyfall reflete um certo lugar comum sobre o estado das coisas pós-11 de Setembro (“inimigo invisível”, “ninguém está seguro”, “as forças do mal nos conhecem profundamente”).

Há outro subtexto que também me interessa: uma volta ao passado como lugar que precisamos conhecer pois ainda pode fornecer respostas ao presente. Na resolução do filme, Bond volta ao lugar onde cresceu guiando uma charmosa caranga antiga do agente secreto e tendo de enfrentar Silva com um aparato rústico (escopeta e bombas improvisadas).

Fico pensando se essa reafirmação do passado como algo ainda relevante não é uma metáfora do próprio cinema nesse momento de transformação tecnológica – leia-se soterramento da película quando ela ainda não estava inteiramente esgotada e sua substituição por um digital que não é consenso.

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